Última atualização em 3 de abril de 2025

Sabemos bem que o ambiente de trabalho pode contribuir significativamente para o sofrimento psicológico de alguns. Seja por questões relacionadas ao excesso de tarefas, estresse ou até mesmo assédio de outros indivíduos pertencentes a esses ambientes, o que não se pode negar é o impacto de tudo isso à saúde mental. Segundo o Jornal da USP, a Síndrome de Burnout atinge até 30% dos trabalhadores brasileiros. 

Com as recentes mudanças na Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1), profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) enfrentam o desafio de integrar a gestão de riscos psicossociais dentro dos mais variados tipos de empresas. 

Esses riscos são agora prioridades nas políticas de segurança ocupacional. Mas como se tornar apto a determinar um risco psicossocial? E como diminuir e remediar esses riscos no ambiente corporativo?

Hoje, o blog da Telavita explora com você como a atualização da NR-1 impacta a SST e leva até você como praticar uma gestão eficaz desses riscos em ambientes de trabalho. Acompanhe até o final!

Como a NR-1 aborda os riscos psicossociais?

A revisão da NR-1 entra em vigor no mês de maio de 2025. Essa revisão estabelece que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) deve agora incluir os riscos psicossociais. Por consequência, é necessário integrar esses riscos ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Isso, na prática, significa que as empresas devem identificar, avaliar e controlar os fatores no ambiente de trabalho que podem afetar psicologicamente os empregados. Garantindo assim a proteção da saúde mental de todos os colaboradores. 

Porém, sabemos que identificar e controlar um risco físico é bem diferente do que fazer o mesmo com um risco psicológico. Afinal, um risco psicológico pode ser bem mais abstrato do que algo que produz risco físico. Não é incomum, inclusive, encontrarmos profissionais da área de SST com as seguintes dúvidas:

  • Será que sou qualificado para determinar que algo apresenta um risco psicológico?
  • Será que esse trabalho não deveria ser feito por um psicólogo? 
  • Como vou iniciar uma conversa sobre o assunto com colaboradores no ambiente de trabalho?
  • Como vou determinar a gravidade de um risco psicossocial?

Se alguma dessas dúvidas já passou pela sua cabeça como um profissional da segurança do trabalho, temos algumas respostas para você.

Responsabilidades do profissional de SST

Mapeamento de Riscos Psicossociais

Quanto se trata de risco psicossocial, o primeiro passo é sempre começar por um mapeamento detalhado das áreas de risco. Para isso, os profissionais de SST devem começar por realizar diagnósticos, utilizando pesquisas e indicadores para identificar áreas de risco psicossocial. 

Quanto aos tipos de pesquisa que podem ser utilizadas, existem muitas. Algumas delas são:

  • Entrevistas e questionários com os colaboradores pode ser um ótimo começo para uma percepção geral dos riscos psicossociais no ambiente.
  • Pesquisa e documentação da rotatividade e das faltas ajuda a entender em quais cargos ou ambientes os riscos psicossociais são maiores. Alguns aspectos interessantes a serem observados são os motivos de desligamento de cargos com alta rotatividade (se estresse ocupacional e burnout estão entre os motivos, já existe um alerta de risco psicossocial) e os motivos de faltas de um determinado cargo;
  • Montagem e pesquisa de grupos focais pode ajudar a mapear, identificar e observar riscos psicossociais em diversos níveis de hierarquia dentro da organização.

É essencial que este processo seja transparente e contínuo, envolvendo a participação dos trabalhadores e da organização no geral.

Implementação de medidas preventivas

Além de mapear e identificar os riscos psicossociais, é dever do profissional SST implementar formas de reduzir o impacto desses riscos.  Intervenções devem incluir treinamentos focados no manejo do estresse, promoção de ergonomia mental, e estratégias para melhorar a comunicação interna e o clima organizacional.

  • Ergonomia mental ou cognitiva, que visa entender e melhorar a resposta mental e psicológica de um colaborador a atividades que requerem concentração ou esforço mental.
  • Políticas, treinamentos e intervenções de combate ao assédio realizadas não apenas com colaboradores, mas com gerentes e com quem tem cargos altos na hierarquia empresarial,

Adaptação do PGR

Incorporar a saúde mental no PGR não é apenas uma exigência legal, mas uma prática que aumenta a produtividade e o bem-estar geral. Isso pode envolver desde ajustes na carga de trabalho até melhorias no ambiente físico e social da empresa.

Algumas práticas interessantes, além das que já citamos, para diminuir os riscos psicossociais são:

  • Apoio psicológico disponível para todos os colaboradores da organização.
  • Gestão de clima organizacional com avaliações e intervenções quando necessário.

Desafios e Boas Práticas

Principais Desafios

Entre os desafios mais significativos estão a resistência organizacional e a falta de capacitação específica em saúde mental no trabalho. 

Resistência organizacional

Empresas que resistem à implementação de medidas para gerenciar riscos psicossociais enfrentam consequências significativas, como aumento do absenteísmo, alta rotatividade de funcionários e declínio na produtividade. Essa resistência muitas vezes parte de uma falta de compreensão sobre os benefícios de um ambiente de trabalho psicologicamente seguro e saudável. 

Para superar essa resistência, é crucial promover a conscientização sobre a saúde mental como um aspecto fundamental da saúde e segurança no trabalho. Isso pode ser alcançado por meio de:

  •  Workshops sobre saúde psicossocial
  •  Seminários e treinamentos que destaquem não apenas os custos associados à negligência dos riscos psicossociais, mas também os benefícios de abordá-los, como melhor engajamento dos funcionários e fortalecimento da marca empregadora. 
  • Envolvimento da liderança no processo de mudança e demonstrar o impacto positivo das intervenções por meio de dados e estudos de caso pode facilitar uma mudança de perspectiva e promover uma abordagem mais proativa à saúde mental no ambiente de trabalho

Como me preparar como profissional SST para aplicar a nova NR-1?

A melhor maneira é buscar a especialização em riscos psicossociais e manter-se conforme a NR-1.  Então invista na sua capacitação para transformar o ambiente de trabalho da sua empresa em um espaço que realmente controle os riscos psicossociais.

A importância dos profissionais de SST nunca foi tão evidente, especialmente com a inclusão dos riscos psicossociais no escopo da NR-1. 

A capacitação contínua e a colaboração entre diferentes departamentos são essenciais para criar um ambiente de trabalho seguro e acolhedor. Por isso, não tenha medo de buscar ajuda. A especialização na hora de lidar com riscos psicossociais no ambiente de trabalho é essencial para lidar com a questão de forma prática e efetiva.

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